Coaching é auto-ajuda?

Coaching é auto-ajuda?

Uma pergunta feita em certo site me fez refletir sobre a frequente comparação entre coaching e auto-ajuda e no motivo que leva a essa confusão. Spoiler: tudo passa pela péssima definição de coaching dos próprios profissionais e órgãos da área e é uma das causas de termos tantos péssimos profissionais usando o coaching atualmente. Leia e me conte o que você pensa a respeito.

Assuntos abordados no artigo:

Hoje eu estava navegando no Quora (se você ainda não conhece, deveria) e me deparei com uma pergunta interessante que me gerou diversas reflexões:

Por que ‘coaching’ e materiais de auto-ajuda se tornaram tão populares?

Ia responder lá, mas achei que vai me estender um pouco mais e criar um artigo sobre isso, afinal a grande pergunta aqui não é “por que se tornaram tão populares?” e sim “por que coaching e auto-ajuda estão na mesma pergunta?”. E eu tenho um ponto sobre isso. Vamos lá.

Para começar, é importante definirmos o que é coaching e o que é auto-ajuda.

Segundo o ICF, a maior federação de coaching do mundo:

Coaching é uma parceria com o cliente em um processo instigante e criativo que o inspira a maximizar seu potencial pessoal e profissional.

Acho que não ficou muito claro, não é mesmo? Bem, votaremos à definição de coaching mais a frente.

Já a definição do Google para auto-ajuda é:

Substantivo feminino; 1. prática que consiste em fazer uso dos próprios recursos mentais e morais para alcançar objetivos de ordem prática ou resolver dificuldades de âmbito psicológico. 2. conjunto de informações, orientações, conselhos que visam possibilitar essa prática.

O grande problema está nas definições. Quem não sabe o que é coaching, ao ler a definição do ICF (bem como a maioria das definições existentes) não consegue entender muito bem o que significa essa ferramenta. E coisa piora se pensarmos que nem mesmo quem se forma em coaching consegue muito bem defini-lo de maneira clara.

Sempre acreditei que o primeiro passo para a solução de qualquer problema é saber nomeá-lo e é aqui que a casa cai. Quando nós, coaches, não conseguimos definir claramente para nossos clientes o que fazemos, abrimos espaço para dois grandes problemas:

  • Nossos clientes podem entender qualquer coisa como sendo coaching.
  • Os “coaches” podem fazer qualquer coisa e dizer que é coaching.

E esses dois itens causam uma vasta gama de problemas, tais como:

  • “Profissionais” dizerem que reprogramam DNA
  • “Profissionais” dizendo que fazem biohacking
  • “Profissionais” que dizem que usam neurociências em processos de coaching
  • “Profissionais” que vendem que seus processos envolvem física quântica
  • “Gurus” que acham que sabem de tudo
  • E, em última instância, possíveis clientes que entram em um site como o Quora e incluem na mesma pergunta coaching e autoajuda!

Entendeu meu ponto?

E como resolver isso?

Não acredito que um artigo será capaz de acabar com esse problema, mas posso lançar a semente disso. Talvez o primeiro passo seja definir melhor os dois conceitos. Vou correr o risco de ser simplista na definição a seguir de cada um dos itens, mas acredito ser importante isso. Os profissionais sérios das duas áreas que me desculpem, ok?

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Coaching

Coaching é um processo de desenvolvimento pessoal que acontece em sessões, geralmente 10 sessões de 1 hora, onde um profissional (o coach), através do uso de perguntas, da imensa capacidade de ouvir e de algumas ferramentas, a maioria importadas da administração, ajuda o cliente (coachee) a encontrar caminhos para solucionar certos desafios.

Um exemplo para clarificar pode ser o seguinte: um gestor está com dificuldades de relacionamento com sua equipe e isso está gerando baixos resultados em vendas. Ele pode procurar diversos profissionais diferentes para ajudá-lo como um consultor, que irá até a empresa, entenderá o problema e criará um plano para soluciona-lo que deverá ser seguido a risca por todos os envolvidos; ou um trainer, que irá até a empresa, entenderá o problema, criará um treinamento com algumas ferramentas que podem ser utilizadas pelo gestor para melhorar seu relacionamento com seu time.

Os dois profissionais acima são importantíssimos, mas o problema nesses casos pode ser que, talvez, como a solução vem de alguém de fora (consultor ou trainer), pode não estar 100% adequada à realidade daquela empresa.

Ou pior ainda, como a solução vem de um terceiro, pode ser que o gerente não “compre” de verdade a solução e acabe não a aplicando.

O processo de coaching nesse caso, pode ajuda o próprio gestor a criar uma solução que será 100% adequada a empresa dele e que gerará mais engajamento, já que foi ele mesmo quem criou a solução.

Para isso, o coach não apresenta as soluções. Em vez disso faz perguntas que levam o gestor a encontrar as respostas e a criar sua própria solução.

E o que é autoajuda?

Vou tentar deixar meu figado de fora da descrição a seguir, já que se o incluísse poderia ofender os autores e fãs desse ramo de “literatura”.

Autoajuda é um ramo de conteúdo, principalmente de livros e palestras, que foca, principalmente em motivar a pessoa a fazer o que ela já sabe que tem que fazer. Para isso utiliza-se de histórias e exemplos.

Quando alguém me diz que foi à um evento de autoajuda (ou motivacional, como gostam de dizer) sempre pergunto: “Me diga 3 coisas que você aprendeu lá e que ainda não sabia?”. E a resposta é sempre algo como: “Não aprendi nada, mas relembrei uma série de coisas!”.

Dai a minha definição acima.

Concluindo, coaching é uma ferramenta, com mecânica própria, que gera resultados reais, mensuráveis e utilizada por profissionais de renome no mundo.

Autoajuda… bem… autoajuda não é isso.

Se as duas ferramenta são tão diferentes, porque estão na mesma pergunta? E qual a resposta de fato para a pergunta feita?

Essas e outras respostas ficam para a semana que vem, certo? Fique atento.

Abraços.

Deixe um comentário e eu prometo responder.